A necessidade de aprender uma língua estrangeira tem sido um assunto recorrente no meio corporativo. Recentemente, a revista Em Notícia da empresa Algar Tecnologia publicou uma matéria muito interessante escrita pela jornalista Kaísa Martins. Participei da matéria dando uma entrevista e acho que ela ficou muito bacana! A matéria está reproduzida abaixo e se você quiser visitar a versão original na revista da Algar, clique aqui.
A qualificação e a busca por diferenciais tem sido importantes aliadas para driblar as dificuldades no mercado de trabalho. Para garantir uma boa colocação no mercado, a constante atualização é exigência e, em meio a tantas cobranças, está uma que chega a amedrontar alguns candidatos: o domínio de uma língua estrangeira.
São inúmeras as áreas que necessitam de uma segunda língua. No universo da Tecnologia da Informação, por exemplo, grande parte dos termos técnicos é em inglês. No entanto, o que comumente acontece é que os profissionais acabam por conhecer apenas o que faz parte do dia a dia no trabalho, ignorando o estudo tradicional da língua para uso fora do ambiente profissional.
De acordo com Sérgio Sgobbi, diretor de Educação e Recursos Humanos da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), a globalização forçou as pessoas a falarem inglês por ser a língua utilizada nos negócios internacionais. Apesar da grade curricular das escolas contar com sete anos de ensino de línguas, a habilidade de falar uma segunda língua no Brasil é encarada como um diferencial e não como uma necessidade. Em função disso, há dificuldade de encontrar profissionais fluentes em outras línguas.
No Brasil, cerca de 10,5 milhões de pessoas falam inglês, o que corresponde a pouco mais de 5% da população, segundo levantamento do British Council, o órgão de disseminação de cultura e negócios do governo britânico. “Dentro desse número, já pequeno, só 20% se comunicam bem. A maioria, 43%, tem uma noção inicial do idioma e 37% conseguem estabelecer uma conversa, mas com muita dificuldade no vocabulário e na compreensão”, diz a sua diretora, Virginia Maria Garcia.
Na tentativa de amenizar esse quadro, o governo federal lançou o programa Inglês Sem Fronteiras. A oportunidade é voltada para os 100 mil melhores universitários que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os alunos que ficarem nos patamares intermediários no teste de proficiência poderão fazer curso gratuito intensivo de inglês, de seis meses, em universidades federais. A proposta do programa é que esses estudantes estejam preparados para os exames de proficiência e possam aproveitar as oportunidades do Ciências sem Fronteiras, que oferecerá bolsas no exterior.
Após ser reprovado em uma prova que lhe garantiria crescimento profissional, Cristiano Santos Oliveira (foto), gerente de Negócios da Algar Tecnologia, resolveu estudar inglês pra valer. “Essa prova foi decisiva na minha vida. Eu percebi que o inglês básico que eu tinha não era o suficiente para as minhas aspirações. Não passar nessa avaliação foi o empurrão que eu precisava para finalmente estudar inglês de verdade”, conta.
Para vencer a dificuldade de encontrar profissionais com fluência em uma segunda língua, as empresas têm investido na formação dos funcionários já contratados por meio de bolsas em escolas de idiomas, por exemplo. “A presença cada vez maior das empresas em diversos mercados internacionais tem impulsionado a formação em línguas estrangeiras. O desafio é grande, pois, para se tornar fluente, uma pessoa precisa investir em torno de 750 horas de qualificação”, diz Sérgio. Para ele, o caminho para ter funcionários cada vez mais qualificados neste quesito é desenvolver metas de proficiência em períodos específicos, por meio de avaliações que componham a avaliação geral de desempenho do trabalhador.
Hegemonia da língua inglesa
Para a comunicação entre pessoas que falam línguas diferentes e precisam chegar a um denominador linguístico comum, é necessário o uso da chamada língua franca. Esse processo de convencionar uma língua como língua universal acontece naturalmente, à medida que as pessoas passam a adotar uma língua comum para se comunicarem.
Há pouco tempo, o francês era considerado língua franca e foi substituído pelo inglês à medida que a Inglaterra colonizou vários países pelo mundo e que os Estados Unidos tornaram-se uma hegemonia econômica.
Outra recente suposição é de que o mandarim substituísse o inglês enquanto língua universal, o que fez desenfrear a busca por estudos do idioma. De acordo com Sérgio Sgobbi, o mandarim será sim uma das línguas mais faladas no mundo, porém mesmo os chineses estão com programas de formação na língua inglesa. Ou seja, o inglês tende a permanecer como a língua oficial dos negócios.
Troca cultural
Mais do que fazer a diferença no currículo, a grande importância está no fato de que conhecer outra língua dá acesso a pessoas e informações que estão indisponíveis para falantes apenas da língua materna. Conhecer uma língua estrangeira abre a oportunidade para se conhecer também a cultura dos falantes dessa língua. Além de ser um fator agregador para a vivência pessoal, também pode ser uma diferença importante no momento de um contato profissional com estrangeiros.
“Falar árabe, por exemplo, é ter a capacidade de se comunicar com as pessoas do mundo árabe (algo em torno de 360 milhões de falantes em 22 países atualmente) e de ter acesso a toda a produção de conhecimento dessas pessoas. Isso abre portas para explorar novos mercados consumidores, parceiros comerciais e para ter acesso a inovações que ainda não foram traduzidas para o português”, afirma Izabel Rego, linguista e autora do blog “Navegando entre Línguas”.
Método comunicativo
Hoje, além do método tradicional, existem cursos de línguas para diversos objetivos e faixas etárias: desde aprender uma língua indiretamente – tendo aulas de um instrumento em inglês, por exemplo – até um curso para adultos, feito através de internet e celular.
“Quando se trata de aprender uma língua estrangeira, não dá pra generalizar. Cada método foi desenvolvido em um contexto diferente e pensando em um determinado público. É preciso avaliar qual é o objetivo do aluno, em quanto tempo deseja ter fluência, qual é sua idade etc.”, afirma Izabel.
No Brasil, o método comunicativo ganhou bastante popularidade, entre outros motivos, porque foca na interação oral e o brasileiro é um povo bastante comunicativo. De acordo com a linguista, existe ainda uma tendência de se misturarem aspectos de diferentes métodos, de modo a contemplar as características dos alunos e as suas necessidades. Porém, a recomendação mais comum é a de duas aulas semanais com duração de duas horas cada uma, completadas com mais duas em casa – que podem ser de exercícios, leitura ou até vendo filmes sem legenda.
As infinitas possibilidades da Internet
Para quem está interessado em aprender ou aperfeiçoar uma língua estrangeira, existe um mar de informações pela Internet. É possível encontrar redes sociais especializadas, sites de professores e pessoas que compartilham “lições”, além de sites com notícias, vídeos, músicas, enfim, recursos não faltam.
Segundo a linguista Izabel Rego, aproveitar esses recursos exige um norte, uma direção. “É importante se conhecer, ter uma ideia do seu nível de proficiência na língua e de quais objetivos se quer alcançar (em quanto tempo quer aprender, quais habilidades precisa desenvolver). Para quem não quiser se inscrever em uma escola de idiomas tradicional, sugiro encontrar um bom professor particular e fazer algumas aulas, combinando com o professor que nessas aulas ele deve fazer um diagnóstico do que o aluno sabe e do que ele precisa desenvolver. Se a pessoa quiser continuar fazendo as aulas, avançará mais rápido, pois o foco estará nas suas dificuldades e, quando não puder ou quiser seguir com as aulas, já terá uma boa ideia de por onde continuar”, aconselha.
A vinda da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 ao Brasil tem sido uma motivação a mais para aprender uma segunda língua, já que o país receberá cerca de 980 mil estrangeiros e alguém precisa se comunicar com eles. Além disso, quem fala inglês bem pode ganhar de 30% a 50% a mais do que quem tem qualificações equivalentes, mas não o domínio do idioma. Aí já estão dois bons motivos para começar a estudar.
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